Condenada: a vida é curta, a morte é eterna, de Chuck Palahniuk

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Condenada (Damned ) | Chuck Palahniuk | 2011 (2013 no Brasil) | 302 páginas | Editora Leya
Em Condenada, primeiro de uma série do mesmo autor de Clube da Luta e Assombro, conhecemos Madison Spencer. Nossa narradora tem treze anos, não é lá muito bonita e está prestes a começar uma fase nova e desconhecida em sua vida pré-adolescente. Parece a sinopse superficial de qualquer livro adolescente que você encontra por aí, exceto por alguns pormenores: Maddy é filha de um bilionário e uma atriz super famosa. E morreu depois de fumar maconha demais. E foi condenada ao Inferno.


A Maddy gosta de clássicos românticos e tem um vasto vocabulário para a idade. Sim, como a maioria das protagonistas jovenzinhas, às vezes ela é um porre com toda aquela pretensão típica da adolescência, mania de se achar muito esperta. Traços de que estou tentando me desvencilhar ainda hoje. É, eu me reconhecia na chatice dela às vezes e aposto que não fui a única, haha.
Madison Spencer e coisas que você só vai
descobrir o que significa quando ler o livro
Chuck P. e uma Maddy MUITO estranha

Seguindo a regra da garota que começa no ensino médio (nesse caso, acorda no Inferno) cheia de incertezas, mas acaba encontrando uma turma legal, Maddy encontra figuras não muito diferentes de um filme americano sobre o high school. Uma periguete tipo líder de torcida, um jogador de futebol, um nerd cheio de canetas no bolso e um punk revolts de moicano azul formam a turma infernal.

Por causa desse núcleo adolescente às vezes eu esquecia que estava lendo um livro do Chuck. Claro que com as cenas de tortura dos condenados, curiosidades contadas pelo nerd, mais cenas e cenários inacreditáveis que só podiam ter saído da cabeça dele, eu acabava lembrando. Sem falar de como o livro é hilário! Fazia tempo que eu não me divertia tanto com um livro. Nesse aspecto, Condenada lembra Snuff. Às vezes você ri pra não vomitar, hehe.

Ao contrário de outras personagens pubescentes idiotas, porém, a Maddy amadurece um pouquinho ao longo da história. Isso acontece a partir das reflexões que ela faz sobre lembranças de sua breve vida. Ou pelo menos fica mais durona a ponto de enfrentar Hitler e Catarina de Médici. Nessas entrelinhas, Palahniuk critica o estilo de vida, comportamento e atitudes de famosos ricos e fúteis. Fala com acidez também sobre o bullying, sexualidade e outros aspectos típicos dessa fase maravilhosa sóquenão que é adolescência.

capa do Brasil-sil-
 Mas você me pergunta: e como é o Inferno? Segundo a Maddy, nem é tão ruim! Você pode encontrar praticamente todos os famosos (celebridades, figuras históricas, religiosos etc) mortos lá. E Satã não reina soberano, todos os demônios de todas as culturas/religiões estão lá. Mas a paisagem é horrenda, mesmo. Já imaginou para onde vão pedaços de unha cortados, chicletes, vômito, esperma, fetos abortados, membros amputados e nojeiras do tipo? Exato, esse tipo de matéria "desperdiçada" na Terra é que constitui a geografia do Inferno. É, eu também achei genial. Ah, e mais: sabe de onde surgiram aquelas pop-ups pornôs e as ligações de telemarketing no meio do seu almoço? Exatamente! Bom, isso você já imaginava, mas Chuck também traz nesse livro outras revelações surpreendentes sobre o Inferno.

E não são só as revelações sobre o Inferno que são surpreendentes. Como é típico do autor, Condenada tem uma série de reviravoltas inacreditáveis, bem como o passado de seus personagens e termina de maneira angustiantemente promissora para o próximo livro. Agora é torcer para que não demore muito para ser lançado por aqui.

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7 comentários

  1. Adorei o Booktrailer!!
    E a resenha também >< Darei uma chance ao autor... Nunca ouvi falar desse livro, mas parece ser realmente muito bom, rs.
    Beijos!
    http://addictiononbooks.blogspot.com.br/

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  2. Hey! Tu já deve estar cansando de me ouvir dizer que vou colocar os livros do Chuck na minha lista de "quero ler" haha, mas é verdade! Ainda não li nenhum, mas talvez pelo jeito que tu consegue descrever a história/estória eu tenho muita curiosidade! Eu realmente acho que tu escreve muito bem, de vez em quando leio resenhas aqui e penso "o que eu tô fazendo com o MEU blog?" uhehueu, pq ainda não consigo expressar muito bem meus pensamentos com palavras! ;*

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  3. Parabéns pela postagem e por todo o blog. Administro um e sei o quanto é exaustivo, mas é recompensador quando colhemos frutos. Gosto muito de visitar blogs. A troca de comentários e experiências é muito importante na blogosfera.
    Estou seguindo seu. Siga o meu http//:gauchaopina.blogspot.com, se puder.
    Busco novos blogs para ler, e novos blogueiros para conhecer o meu.
    Espero que goste de minha humilde página. Enfim, gostei de tudo aqui, de verdade.
    Até mais... Obrigado. Aguardarei um comentário seu.

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  4. Oi Bruna, tudo bom?
    Nossa, eu não imaginava nem um terço do que é esse livro!
    Verdade seja dita, sempre bloqueei minha vontade de comprá-lo por causa da capa. Parece meio herege eu gostar dela, sabe? hahaha Coisas da minha mente...
    De tanto que você comenta sobre esses livros muito bons, eu fico querendo levar a livraria inteira!
    Muito, muito boa mesmo sua resenha, mudou completamente minha visão sobre o livro, a ponto de eu estar abrindo a aba da saraiva agora hahahah
    Tem post novo!
    Beijos
    Endless Poem

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  5. Saudade de posts novos por aqui (:

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  6. Li uma versão em PDF do livro, então não sei se essa ilustração consta da versão impressa. É de lá que você tirou?! Se for, imaginava a Maddy bem mais gordinha e feia haha. Realmente, divertidíssimo o livro. Fiquei alguns dias rindo sozinho ao lembrar do trecho sobre o teste do polígrafo. Às vezes vemos alguns religiosos fanáticos com discursos que parecem se embasar na real possibilidade de condicionar o salvamento da danação eterna a algumas perguntas e respostas. Genial, pra variar, mas meu favorito do Palahniuk continua sendo Sobrevivente. Ótimo blog, parabéns ao casal!

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    1. Pedro, essa imagem é fan made e achei bem feita demais pra não postar, haha. Tirei lá do site do próprio Chuck. A parte do polígrafo é demais, hehe. Obrigada! :)

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